FALE CONOSCO    |  CADASTRO     

Rebreathers na PL Divers (parte I)

Até os anos 50, pouquíssimos cientistas haviam realizados observações diretamente no ambiente subaquático. As breves incursões em apnéia eram extremamente limitadas e os equipamentos de mergulho da época eram de difícil utilização e baixíssima segurança. A maioria das informações que dispúnhamos era proveniente de sondas e dragagens. O recém projetado Aqualung de Jacques Costeau ainda era uma novidade e poucos tinham acesso a tal equipamento. Entretanto, por volta da década de 60, o Aqualung havia alcançado grande popularidade e acabou sendo utilizado pela comunidade científica. O advento do mergulho scuba pelos cientistas nos mares do Caribe propiciou um boom de produções científicas sobre os ambientes recifais (recifes de coral, costões rochosos, naufrágios etc.). As águas cálidas e claras e a possibilidade de passar um tempo considerável em observação direta fizeram com que os cientistas descobrissem e publicassem informações sobre esse ambiente como nunca haviam feito antes. O mesmo boom de descobertas científicas atingiu o Brasil, mas infelizmente bastante tempo depois. Diversos autores dizem que os cientistas brasileiros só começaram a fazer uso extensivo do scuba na década de 90. Desde então, o mergulho scuba tem sido uma das principais ferramentas para o estudo dos ambientes recifais.

E os rebreathers? Onde eles aparecem? Bem, como todos se lembram, o mergulho scuba recreativo é limitado até os 40m de profundidade. Os mais ousados podem usar ar comprimido até os 66m de profundidade e os mergulhadores técnicos conseguem ir com segurança (não muita) até a faixa dos 150m de profundidade. Não haveria problema algum se estivéssemos nos divertindo, mas devo lembrar de que os cientistas estão trabalhando. As observações diretas em ambientes profundos são feitas há muito tempo com a utilização de batiscafos (submersíveis). Entretanto, devido ao seu custo elevado e a toda logística demandada para se colocar um submersível na água, eles normalmente são utilizados abaixo dos 200m de profundidade. O leitor atento já deve ter percebido que os mergulhos com scuba são efetivamente conduzidos numa profundidade entre 1 e 100m e os submersíveis exploram as profundidades a partir dos 200m, criando uma janela desconhecida por volta dos 100m de profundidade, poeticamente chamada de Twiligth Zone (Zona do Crepúsculo). Até onde se sabe, não existem vampiros nesta profundidade, mas sim uma baixa luminosidade (que dá origem ao nome) e centenas (provavelmente milhares ou milhões) de espécies desconhecidas pela ciência. Aí entram os rebreathers...

Muito tem se falado sobre rebreathers, mas acredito que muita gente ainda não tenha entendido realmente o que é um rebreather. Rebreather em inglês significa “respirar novamente”, o que eu considero um nome genial e muito didático. Vejam só. Quando respiramos com nosso equipamento scuba tradicional, qual é a coisa que mais fazemos? Soltamos bolhas. O ar está em um cilindro, vai para o pulmão do mergulhador e é liberado no ambiente na forma de bolhas. Por isso chamamos o equipamento scuba de “circuito aberto” (Open Circuit OC), pois após a expiração o ar é liberado no ambiente. Bem, em um rebreather isso acontece de modo um pouco diferente. O ar (a partir de agora chamaremos de gás) fica em uma bolsa chamada contra-pulmão. Quando o mergulhador inspira, o gás sai desse contra-pulmão e é levado aos pulmões do mergulhador. Depois desse ponto acontece a mágica: durante a expiração, o gás é levado a um filtro, onde o dióxido de carbono (CO2) é removido e oxigênio é acrescentado, proveniente de um pequeno cilindro contendo oxigênio puro. Após o filtro, o gás volta ao contra pulmão para ser “respirado novamente”. Como o ar não é liberado no ambiente (não solta bolhas!), esse tipo de sistema é chamado de circuito fechado (Closed Circuit CC). Podemos simplificar ainda mais e dizer que o rebreather recicla o gás inerte (ex: Nitrogênio, Hélio, Neônio... ), utilizado durante o mergulho.

Com isso temos a primeira grande vantagem dos rebreathers sobre os OC: a autonomia de gás é MUITO maior! No caso de um mergulho com ar comprimido, tanto em OC quanto em CC, o único gás dessa mistura que é metabolizado pelo organismo é o Oxigênio. O Nitrogênio se dissolve lentamente nos tecidos, ele não é metabolizado pelo organismo. O único gás que deve ser reposto é o oxigênio que foi metabolizado pelo organismo do mergulhador. Resultado: o mergulhador precisa levar menos cilindros (os gases inertes são reciclados) e pode ficar muito mais tempo no fundo!

Agora vem a segunda grande vantagem: o oxigênio é injetado na mistura gasosa que está sendo respirada. Isso significa que o rebreather funciona como se fosse uma “mini estação de recarga” fazendo Nitrox (ou Trimix ou qualquer outra coisa) em tempo real, de acordo com a necessidade do mergulhador! Para aqueles que não se lembram do curso de Nitrox, isso significa que quanto mais oxigênio o mergulhador estiver respirando, haverá menos espaço para o Nitrogênio e ele poderá ficar e mais tempo no fundo sem ter o risco de ter uma Doença Descompressiva (DD). Já repararam em quantos cilindros os mergulhadores técnicos carregam? Isso tudo é para tentar respirar uma mistura com a fração adequada de oxigênio durante algumas etapas do mergulho. Os rebreathers fazem isso em tempo real, ou seja, o mergulhador SEMPRE estará respirando a melhor mistura para aquela profundidade, aumentando consideravelmente os Limites não descompressivos para o mergulho em questão e reduzindo muito o tempo gasto nas descompressões. Essas vantagens fazem com que os Rebreathers sejam a principal ferramenta para a exploração da Zona de Crepúsculo!

Veja a segunda parte deste artigo.


Ramon Noguchi
Instrutor de Mergulho e Doutorando em Ecologia pela UFRJ
Instrutor Especialista PADI # 195028

Você gostaria de saber mais sobre rebreathers?? Entre em contato conosco! :)

Maiores informações : pldivers@pldivers.com.br

*Este texto tem caráter apenas informativo. Diversos conceitos aqui mencionados estão simplificados, visando uma maior compreensão pelo público geral. Este artigo não tem funções de treinamento em misturas gasosas e/ou rebreathers.