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Confira abaixo as perguntas e respostas respondidas por Paulo Lopes sobre sua viagem a Antartica!

Perguntas Para o Paulo:

1 – Você estava nervoso antes e durante a viagem? Por que?
R – Realmente, antes da viagem eu estava muito nervoso, pois os negócios não estavam indo bem e eu e o Dimitri íamos sair da PL no começo do verão.
Quando temos uma sociedade e os membros tem as suas funções, fica difícil assumir tudo sozinho em uma empresa. E eu tinha quase certeza de que aquilo não iria dar bom resultado. Assumindo o risco, fui para Ushuaia já pensando em voltar, mas o Dimitri, que já estava lá, decidiu voltar.
Em Ushuaia, fiquei doente e tive que passar por uma pequena cirurgia, e isso quase me fez retornar também ao Brasil. Foi pelos amigos como o Dr. Juan Laplace, o Igor e o Miguel, que fizeram de tudo para que eu continuasse e partisse para a Antártica. Com o Dimitri retornando ao Brasil e a minha recuperação da cirurgia fiquei tranqüilo.
Acredito também em uma coisa: nunca desistir, ir sempre até o final! Esse pensamento me deu forças e eu continuei.

2 – Você faria a viagem novamente?
R – Claro. Principalmente agora que eu sei o que pode melhorar e com a experiência já adquirida, acredito que será muito melhor em uma nova oportunidade.

3 – Você mergulhou sua vida inteira, mas qual o impacto que os mergulhos na Antártica causaram em sua vida?
R – Depois de mergulhar em lugar como a Antártica, você fica diferente. Não pelos mergulhos, pois não é muito diferente. As técnicas são as mesmas do mergulho técnico, que eu já pratico há anos. O que muda é o cenário. A vida marinha e o cuidado em estar usando os equipamentos corretos.
Bom, acho que fiquei mais apaixonado pela natureza e mais zeloso pela minha vida. Depois da viagem comecei a pensar mais em mim e nos meus. Foi um bom aprendizado.

4 - Como foi sua vivência no barco com os outros integrantes da Equipe e com você mesmo?
R – Viver em um ambiente confinado com três pessoas durante 100 dias não é fácil. Acho que nossa maturidade foi o motivo principal de tudo ter dado certo. É claro que tivemos vários momentos de tensão, mágoa, ciúme, raiva, alegria, tristeza, tudo o que você possa imaginar. Mas uma coisa é certa: imperou entre nós o mais importante sentimento que um ser humano pode e deve ter pelo próximo que é o respeito. Sem ele nada funciona.
Comigo mesmo foi tranqüilo, o que eu senti muito foi saudades e ao mesmo tempo alegria. Uma alegria contida pelo sentimento de segurança.

5 – Os seus sentimentos pela família sofreram alguma mudança depois dessa viagem?
R – Hoje me sinto mais próximo da minha família. Não falo no sentido físico, pois, às vezes, estar perto fisicamente não é a mesma coisa que estarmos juntos. Agora sinto que tudo mudou para melhor.

6 – Você ficou doente?
R – Sim, em Ushuaia, antes de ir para Antártica, pois ficamos uns 14 dias esperando por janela de tempo para atravessar o estreito de Dreike. Mas como já informei na primeira pergunta, fiz a cirurgia e com a ajuda dos amigos, tudo correu bem.

Perguntas da Letícia Para Paulo:

1 – O que te motivou a fazer essa expedição para a Antártica?
R – Mergulhar, conhecer e fazer algo novo na minha vida.

2 – A expedição em si superou suas expectativas?
R – Sim. Foi a primeira vez que eu participaria de uma expedição como essa. Tudo para mim era novo: o veleiro, viver confinado, conhecer o mundo gelado. Que maravilha aquele lugar! Enfim, eu imaginava que seria muito difícil e foi, mas também foi uma das maiores experiências que passei em toda minha vida. Pretendo voltar se assim Deus quiser, pois valeu à pena.

3 – Houve problemas não esperados?
R – Na fase da expedição que eu participei houve poucos problemas, pois os que foram aparecendo conseguimos resolver. Isso melhorou a confiança da equipe. O importante numa expedição desta é que a equipe saiba o que realmente tem nas mãos para trabalhar e que no mar, estamos lidando com a natureza e ela pode armar surpresas a qualquer momento e devemos estar preparados para agir. De certa forma aprendemos muito.

4 – O que você acha que poderia ter sido feito para evitar esses problemas inesperados?
R – A resposta para essa pergunta é treinamento. Faltou mais treinamento da equipe no barco e tivemos que crescer nesse aspecto durante a expedição.

Perguntas da Clary para o Paulo:

1 – Você passou por algum perigo nessa expedição? O que fizeram a respeito?
R - Em uma aventura como essa tudo pode acontecer, porém quando você planeja todos os detalhes antes, principalmente no item segurança você diminui a chances de problemas. Mas estamos falando de uma travessia no mar mais perigoso do mundo e isso conta. Teve duas situações que realmente foram perigosas. Uma foi quando estávamos aportados em Dorian Bay e entrou um vento muito forte e de repente uma das amarras não agüentou e arrebentou, tivemos que sair do barco naquela tempestade de vento frio e amarrar novamente, foi difícil. A outra, foi quando voltando do sul da Península e passando pela passagem de Lemair, pegamos outra tempestade de vento, o veleiro quase não progredia mesmo com o motor ligado, por fim chegamos a Porto Locroi e aportamos com segurança. Foram realmente situações de perigo por qual passamos.

2 – Em algum momento você quis desistir?
R - Sim, duas vezes. Antes de sair de Arraial eu quase desisti, porque a PL Divers não ia bem e com o Dimitri fora eu pensei em não ir. O outro momento foi em Ushuaia quando saiu um tumor nas minhas costas e se não tivesse feito uma pequena cirurgia eu teria que voltar. Felizmente tudo ficou bem, e lá fui eu para Antártica.

3 – Como eram preparadas as suas refeições e o que você comia?
R- O Miguel ficou responsável pela comida e eu por lavar a louça. Comíamos de tudo quando estávamos aportados e quando estávamos navegando, geralmente comíamos comida liofilizada, pois era mais fácil de fazer. No barco tinha de tudo, muito chocolate, amendoim, castanha de caju, barra de cereais etc., Não podemos dizer que tivemos problemas de comida a bordo. Pelo contrário, foi farto.

4 – Que experiências você quer guardar e qual você gostaria de esquecer nessa Expedição?
R – A experiência que tive e que pretendo esquecer foi em relação aos enjôos, as outras foram muito importantes. Tudo o que aconteceu foi bom, principalmente o pensamento na família, agora me sinto mais próximo dos meus filhos e minha esposa. E continuo pensando que nunca devemos desistir de nossos sonhos. Quando você planeja algo em que acredita em sua vida, vá até o final, não desista.

5 – Em que Amyr Klink te inspira?
R – Acho que todas as pessoas que conhecem os feitos do Amyr, passam a acreditar que o ser humano é capaz de tudo, basta ter dedicação, coragem e treinamento.

Pergunta de Manoela para Paulo:

1 – Qual foi a experiência mais marcante nessa viagem à Antártica?
R – Os momentos mais marcantes da viagem pra mim, foram dois: o primeiro foi quando avistamos pela primeira vez o continente Antártico. Foi inesquecível, deu vontade de chorar, todos nós estávamos muito emocionados, nos abraçamos e gritamos muito.
O segundo foi quando mergulhei pela primeira vez e foi fantástico estar mergulhando na Antártica.

Maiores informações : pldivers@pldivers.com.br