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A história do Submarino U-199 e o Shangri-lá  


  Sessenta e um anos depois de morrerem num ataque nazista, o reconhecimento oficial. Neste domingo, os nomes de dez pescadores de Arraial do Cabo serão colocados em uma placa no Monumento Nacional aos Mortos da II Guerra Mundial, no Parque do Flamengo, durante as comemorações do Dia D (invasão das tropas aliadas no continente europeu). Finalmente reconhecidos como heróis de guerra, os pescadores eram tripulantes do pesqueiro Shangri-lá, que foi afundado com sete tiros de canhão, em junho de 1943, pelo submarino U-199, de 1.200 toneladas, então o maior e mais moderno da frota de Hitler. A história vai ser contada no filme “A Tragédia doShangri-lá”, do cineasta Flávio Cândido.

   O misterioso desaparecimento do Shangri-lá só foi esclarecido em 1999 pelo pesquisador Elísio Gomes Filho ao vasculhar, nos arquivos militares americanos, os depoimentos dos 12 nazistas sobreviventes do U-199, que foi posto a pique por aviões brasileiros e americanos


no litoral do Rio no dia 31 de julho de 43 (morreram 54 alemãs). Eles contaram que dias antes, por ordem do capitão Hans Kraus, haviam afundado a tiros de canhão de 105 milímetros uma pequena embarcação no litoral de Cabo Frio. Foi, segundo eles, um mero exercício de tiro ao alvo para testar os potentes canhões do submarino que, até então, não tinha testado seu poder bélico.

   Mães e viúvas morreram na miséria esperando o reconhecimento. Buscamos dignidade e queremos a certidão de óbito — disse o aposentado Paulo Silva, enteado do condutor-motorista Deocleciano Pereira da Costa, uma das vítimas.

   Os depoimentos dos militares nazistas foi o principal documento que o pesquisador e o advogado das famílias usaram para conseguir o desarquivamento do inquérito que apurava o naufrágio do Shangri-lá. Até então, só haviam boatos segundo os quais o pesqueiro fora afundado por aviões da FAB ou então teria ido a pique ao bater em pedras durante uma tempestade. Os corpos dos pescadores jamais foram localizados. A
atrocidade de guerra foi reconhecida pelo Tribunal Marítimo no dia 31 de julho de 2001.
Na cerimônia estará Hércules da Costa Marques, de 84 anos, filho do mestre do Shangri-lá, José da Costa
Marques, que morreu no naufrágio junto com o filho, Zacarias, de 17 anos.

 

Comprimento: 9,5 metros
Capacidade: 10 pessoas
Artilharia: redes de pesca
  Festa da construção do
U-199 na Alemanha

 

Links Relacionados:

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